A vida da mulher moderna e independente é repleta de questões. Como conciliar a vida afetiva e profissional? Qual o método anticoncepcional mais adequado? Como se proteger de doenças ginecológicas? Até quando posso adiar a maternidade? Nesse núcleo você tem um canal aberto de comunicação com seu médico para esclarecer todas as dúvidas freqüentes na vida da mulher moderna. Independente da questão, o importante é saber que aqui você pode conversar livremente e cuidar bem de sua saúde sempre.
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TEMAS DE INTERESSE
1 - CORRIMENTOS VAGINAIS
Por: Dra. Flavia Kronfly
2 - HPV
Por: Dr. Gustavo Fernandes
CORRIMENTOS VAGINAIS
Por: Dra. Flavia Kronfly
O corpo humano é revestido por dois tecidos diferentes: pele e mucosa. As mucosas são sempre úmidas, a exemplo da boca que produz saliva e dos olhos que produzem lágrima.
Seguindo o mesmo raciocínio, a vagina, por ser revestida por mucosa, é naturalmente úmida. Isto quer dizer que, toda mulher, sem exceção, apresenta secreção vaginal que se exterioriza na calcinha. A secreção considerada normal é translúcida ou branca-amarelada, ligeiramente viscosa e não traz consigo nenhum sintoma associado. Ou seja, não tem odor fétido, não coça e nem arde. Quando seca na calcinha, pode “esfarelar” ao esticarmos o tecido desta. Costuma estar em pequena quantidade logo após a menstruação; fica mais abundante no meio do ciclo menstrual (período fértil) em que adquire semelhança com a clara de ovo e permanece aumentada até o período menstrual. Isto não é corrimento!
A coloração ligeiramente amarelada que muitas vezes acaba por ficar impregnada na roupa íntima e vai manchando as calcinhas com o tempo, deve-se à gordura, um dos componentes normais desta secreção.
Desconfie que algo está errado (corrimento) quando perceber secreção vaginal com cor diferente (ocre, verde, marrom, cinza), ou com sangramento, mudança da consistência (grumos que lembram queijo “Cottage”), coceira local, queimação, dor vaginal na relação, odor desagradável (de peixe por exemplo), fissuras ou edema (inchaço) na vulva ou ardência para urinar.
Com um ou mais destes sintomas presentes, você pode estar diante de uma vulvo-vaginite. Nestes casos, o parceiro também pode referir vermelhidão na glande do pênis, fissuras, “bolinhas” vermelhas e desconforto após a relação sexual.
Vulvo-vaginite é uma inflamação infecciosa ou não da mucosa vaginal e algumas vezes, da vulva e que deve ser tratada adequadamente após o exame ginecológico, em que o médico identifica o que está causando o desequilíbrio da flora. Há muitas causas para as vaginites, desde a contaminação vaginal por fezes (comum na infância por higiene inadequada) até a falta de hormônios na pós-menopausa (vaginite atrófica).
Nas mulheres em idade reprodutiva, geralmente as vaginites são infecciosas e muitos são os agentes que podem ocasioná-la. Qualquer desequilíbrio na nossa flora vaginal, que possui mais de 150 microorganismos disputando espaço, pode ser causa. Ela acontece quando um componente se sobressai sobre os demais. Pela freqüência em que ocorre, daremos destaque à candidíase.
A candidíase consiste na proliferação de fungos vaginais do tipo Candida sp .Toda vez que encontram um ambiente, quente e úmido, proliferam. Daí a maior incidência nos meses de verão, onde a freqüência em praias e piscinas e uso de roupas sintéticas (biquínis e sungas) aumentam. Em países onde o inverno é rigoroso, acontecem também nesta época pelo excesso de roupas. A incidência é maior também em algumas profissões em que o uso de meia-calça é mais freqüente (comissárias de bordo). Usar absorventes diários como os famosos “protetores de calcinha” também explicam as famosas “candidíases recorrentes” de muitas pacientes que nos procuram com esta queixa.
O tratamento consiste em se evitar os fatores predisponentes e, grande parte das vezes, associa-se medicação anti-fúngica específica, via oral e via vaginal. Seu médico pode preferir manipulá-los quando a dose precisar ser individualizada ou adequada a situações especiais. O parceiro é sempre envolvido no tratamento, devendo ser medicado mesmo que assintomático para evitar-se assim, recidivas na parceira.
Portanto:
• Não utilize absorventes diários; limite o uso destes ao período menstrual.
• Prefira calcinhas com o maior teor de algodão possível e use roupas mais soltas e ventiladas, especialmente no período pré-menstrual, fase de maior predisposição pela acentuada acidez fisiológica vaginal.
• Mantenha os genitais limpos com higiene diária local.
• Evite sabonetes íntimos que não tenham sido indicados por seu médico (muitos contém Triclosano e destroem as bactérias normais da flora , o que predispõe à proliferação fúngica).
• Evite “sprays” locais e duchas vaginais.
• Não aplique medicação sem exame ginecológico prévio. Ela pode alterar as caracteristicas da infecção e dificultar o diagnóstico correto por seu médico.
Com estes cuidados, você desfrutará de uma vida saudável, com menos desconfortos genitais para você e seu parceiro. Boa sorte!
HPV
Por: Dr. Gustavo Fernandes
O HPV é um vírus transmitido pelo contato sexual que afeta a área genital tanto de homens como de mulheres. É uma família de vírus com mais de 80 tipos. Enquanto alguns deles causam apenas verrugas comuns no corpo, outros infectam a região genital, podendo ocasionar lesões que, se não tratadas, se transformam em câncer de colo do útero.
Uma das características desse vírus é que ele pode ficar instalado no corpo por muito tempo sem se manifestar, entrando em ação em determinadas situações, como na gravidez ou em uma fase de estresse, quando o sistema imunológico do organismo fica abalado.
Na maior parte das vezes a infecção pelo HPV não apresenta sintomas. A mulher tanto pode sentir uma leve coceira, ter dor durante a relação sexual ou notar um corrimento. O mais comum é ela não perceber qualquer alteração em seu corpo.
Geralmente, essa infecção não resulta em câncer, mas é comprovado que 99% das mulheres que têm câncer do colo uterino foram antes infectadas por esse vírus. Em seus estágios iniciais a doença causada pelo HPV é tratada com sucesso na maioria dos casos, impedindo que a paciente tenha maiores complicações no futuro. Portanto, a melhor arma contra o HPV é a prevenção e fazer o diagnóstico o quanto antes.
Como devo me prevenir?
• Manter cuidados higiênicos;
• Ter parceiro fixo ou reduzir o número de parceiros;
• Usar preservativo durante toda a relação sexual;
• Visitar regularmente seu ginecologista para fazer todos os exames de prevenção.
• É importante que o parceiro também procure um médico para verificar se ele está com o vírus.
Como posso saber se tenho HPV?
Esse vírus pode ser detectado por meio dos seguintes exames:
1 - Papanicolaou. É o exame preventivo mais comum. Ele não detecta o vírus, mas, sim, as alterações que ele pode causar nas células.
2 - Colposcopia. Exame feito por um aparelho chamado colposcópio, que aumenta o poder de visão do médico, permitindo identificar as lesões.
3 - Captura híbrida. É o exame mais moderno para fazer o diagnóstico do HPV. A captura híbrida consegue diagnosticar a presença do vírus mesmo antes de a paciente ter qualquer sintoma. Esse é o único exame capaz de dizer com certeza se a infecção existe ou não. Estudos recentes recomendam que o exame de captura híbrida só seja feito em mulheres acima de 25 anos, preferivelmente aos 30 anos. Contudo, nem todas as mulheres precisam fazer este exame.