Anestesia
Por: Dr. Ulisses Cardoso D'Orto
Ainda hoje, a anestesia é um assunto de grande interesse e que gera muitas dúvidas para os pacientes que serão submetidos a uma cirurgia.
No passado, a anestesia causava medo e aflição, mas atualmente podemos afirmar que é um procedimento extremamente seguro. Principalmente nos últimos anos, foram desenvolvidos novos monitores e novas medicações que levaram as complicações anestésicas a níveis extremamente baixos.
Hoje em dia observa-se também uma relação anestesista-cirurgião-paciente mais próxima. O anestesista participa ativamente como membro da equipe, participando no pré- operatório (consulta ou visita pré-anestésica com o paciente e seus familiares) e também no pós-operatório, em contato direto com o paciente, equipe de enfermagem e cirurgião.
O médico anestesista sempre avalia o paciente antes da cirurgia assim como seus exames pré-operatorios e explica ao paciente como será a anestesia e o porquê da técnica anestésica escolhida.
Claro que não podemos dizer que não existem riscos anestésicos. Quando fazemos um trabalho em equipe de forma criteriosa e comprometida, em hospitais que nos dêem condições de realizar um bom trabalho, os riscos são contornáveis, o que torna a anestesia um procedimento extremamente seguro!
Anestesia geral
É aquela em que o paciente dorme durante todo o procedimento, não sente nada e acorda após o término da cirurgia. Posteriormente é encaminhado para a sala de recuperação pós-anestésica (RPA) onde permanece até estar bem acordado e consciente para voltar a seu apartamento (cerca de uma hora).
Anestesia espinhal
Pode ser dividida em raqui-anestesia ou anestesia peridural, na dependência da localização onde é colocado o anestésico (depois ou antes de uma membrana que reveste a medula espinhal chamada Dura-mater).
Nestas modalidades, o paciente fica parcialmente anestesiado, da região do abdôme para baixo, sem mexer ou sentir as pernas.
É bastante usada em pacientes que vão se submeter a procedimentos ginecológicos. Comumente, se associa uma sedação para que o paciente durma durante o procedimento. Esta medida visa trazer mais conforto e diminuir a ansiedade.
Ao final, também permanece por um tempo na sala de recuperação pós-anestésica.
Analgesia para parto normal
Esse, sem duvida nenhuma é um capitulo a parte, pois reflete muito da beleza e da arte do procedimento anestésico!
Não seria ótimo se fosse possível a gestante participar acordada do nascimento de seu bebê, sem sentir dor alguma, mas conseguindo perceber as contrações uterinas e ainda tendo força suficiente para ajudar a evoluir o trabalho de parto ate o nascimento?
Pois bem, isso é uma realidade e uma rotina em nosso trabalho. Na maioria das vezes é instalada a analgesia de parto com um duplo bloqueio, ou seja, uma raqui-anestesia e uma peridural combinada. A raqui-anestesia tem a tarefa de relaxar a musculatura do períneo e anestesiar essa região para facilitar a descida e o encaixe do bebe para o nascimento. A peridural associada, minimiza a dor das contrações, porém permite à paciente sentí-las. Preserva um certo tônus muscular para que a paciente perceba e ajude a fazer força durante as contrações. Com isso ela participa, junto com o pai do bebe, de todos os momentos até o nascimento sem dor ou sofrimento.